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Pressa4 min de leitura

Vinte minutos

Os convidados avisaram que estão saindo de casa. São vinte minutos de trajeto, e vocês estão se olhando de um jeito que não tem nada a ver com jantar.

A mensagem chega enquanto você tira a travessa do forno: *saindo daqui agora*.

Vinte minutos de trajeto. Vinte e cinco, se pegarem trânsito na ponte.

Você anuncia isso em voz alta, do jeito prático de quem está calculando tempo de forno, e não recebe resposta nenhuma.

Quando você se vira, entende por quê.

Está encostado no batente da cozinha, com a camisa que ia vestir ainda na mão, olhando para você de um jeito que não tem absolutamente nada a ver com o jantar.

— Vinte minutos — você repete, mais devagar.

— Eu ouvi.

— A mesa não está posta.

— Eu sei.

Existe um cálculo rápido acontecendo dentro de você, e o cálculo tem componentes de logística — o forno, a mesa, o gelo que não foi feito — e mais ou menos nenhum deles vence.

— Dezoito — você diz.

O corredor até o quarto é curto e mesmo assim vocês param duas vezes nele.

A gaveta da mesa de cabeceira abre com aquele barulho que só ela faz, e o pote de gel está mais no fundo do que devia porque ninguém guarda direito.

— Frio — reclamam.

— A culpa é sua. Você que decidiu isso agora.

Rir atrapalha, e vocês riem mesmo assim, e é o tipo de riso que não tira nada da noite — só tira o peso.

Existe uma qualidade específica da pressa que nenhum sábado de manhã tem. É a certeza de que não dá tempo de fazer direito, e é exatamente por não dar tempo que ninguém está avaliando nada.

Ninguém pergunta se está bom. Ninguém pensa em desempenho. Só existe o relógio e o que dá para fazer contra ele.

Às onze para as nove, o interfone toca.

Vocês param. Se olham. Ninguém se mexe.

— Deixa tocar — você diz.

E deixam.

Quando finalmente abrem a porta, dois minutos e meio depois, você está com a camisa errada e alguém comenta que vocês parecem sem fôlego.

— A escada — você diz.

O elevador funciona perfeitamente e todo mundo naquele prédio sabe disso.

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A Mesa tem os dados e a raspadinha — para quando a leitura acabar e a noite continuar.

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