A regra da cadeira
Uma cadeira de escritório puxada para o meio do quarto num sábado à noite. Uma regra combinada em voz alta: as mãos ficam onde estão. Quem tirar a mão, acabou.
Vai fundo, sem meias palavras — e ainda assim sem crueza.
A cadeira é a do computador. Não tem nada de erótico numa cadeira de computador, e é exatamente isso que faz a cena inteira funcionar: alguém puxou ela para o meio do quarto, num sábado à noite, e agora ela está ali, no tapete, absurdamente fora de contexto.
— Isso é uma cadeira de escritório. — É. — A gente tem uma cama. — A cama não tem braço.
A regra é dita em voz alta, olho no olho, antes de qualquer coisa acontecer — e ouvir uma regra dessas sendo combinada com toda a calma do mundo, na luz do abajur, é o que faz o seu estômago virar:
— Quem senta fica com as mãos nos braços da cadeira. As duas. Não sai dali. Se tirar a mão, a gente para e acabou por hoje. — E se eu não aguentar? — Aí você fala. Amarelo eu diminuo, vermelho eu paro. Tudo o mais é seu problema.